Cachoeira



 Bem, na postagem anterior eu relatei que minha filha pediu p ir numa cachoeira, certo? 

Então vou contar um pouco dessa história. 

A Minha filha ela é uma incógnita. Tem dias que tem atitude de quem vai pular de paraquedas ou base jump, sem medo e sangue nos olhos; e tem dias que chora porque tem formiga passando perto do pé dela. 

Portanto, além do fato de ser adolescente, fica difícil identificar o que posso fazer para agradar. Mas, quando ela era bem pequena, eu levei para surfar, ainda de fralda, e me deu uma impressão que estava gostando, além de ter um olhar que algo diferente "bateu" no coração. Pode ter sido visão de pai orgulhoso e surfista, mas, tenho certeza que ela tem, lá no fundo, alma de aventureira, seguindo o DNA do pai.  https://www.youtube.com/watch?v=m0SC3yCyC8s

Outro acontecimento foi, que, durante a Pandemia, em 2020, eu ganhei de uma cliente (dona de agência de viagem), um passeio de Balão em Boituva, e, apesar de ter sido desmarcado 2 vezes (uma pelo mal tempo, e outra devido pandemia), acabei indo fazer esse passeio, e levei minha filha (óbvio). Ela foi muito animada, já estava com 11 anos de idade, e durante a noite, na estrada (saímos de Santos meia noite, para chegar no local de madrugada, pois era o passeio de amanhecer) foi conversando, com um pouco de expectativa e ansiedade. Se divertiu bastante, mas na volta, como fomos de ônibus de excursão, num grupo grande, foi feito uma parada num outlet. Nesse momento, quando acordou, já virou uma fera de mal humor. Mas valeu o passeio.


Por não ter um convívio direto comigo, e eu respeitar muito o espaço dela, acaba não fazendo mais aventuras como seria o normal de um adolescente da mesma idade (pelo menos era muito comum na minha idade isso), porém, nos dias de hoje, eu mesmo já não sei o quanto um adolescente gosta de aventura, ou prefere shopping e vídeo game.

Por esse motivo eu fiquei surpreso quando ela veio passar o Natal comigo, e fez o pedido de conhecer uma cachoeira. Ali eu pude perceber algo do tipo "despertar da força".

No ato do pedido, em questão de 2 segundos, vieram milhões de pensamentos na minha cabeça, mas, me mantive focado em responder algo positivo, e incentivando o lado aventureiro da menina, respondi “lógico que te levo”.

No ato, eu já pedi para ela procurar na internet, durante a viagem, uma cachoeira em Águas de Lindóia, pois, apesar de eu nunca ter ido, sempre soube que havia cachoeira ao redor da cidade.

E, para minha surpresa, ela encontrou uma cachoeira pequena, a uns 10 minutos da casa do meu pai. Perfeita para iniciar essa adolescente.

Chegando em Águas de Lindoia, fomos deixar as coisas na casa, e partimos em busca da cachoeira da ponte, que tem duas quedas de água, ao lado da estrada. Paramos no acostamento, e entramos na micro trilha (de menos de 50 metros) apenas com a toalha.

Já tiramos a roupa, e eu fui entrando na cachoeira para ir tateando o fundo com o pé, mostrando o caminho para ela, e ensinando como se comportar em lugar “selvagem”, principalmente quando não conhece. Entrei debaixo da queda de água, apoiando a mão nas pedras, e fui trazendo-a para debaixo para fazer o mesmo. Já deixei ela fazer sozinha para não ter a impressão que foi forçada, e do nada, vi um olhar de alegria, por estar ali. Um momento mágico para mim (lógico, sou o pai). Percebi que ela se sentiu em casa em menos de 5 minutos.

Cresci numa época que todos se jogavam de cabeça nas cachoeiras, até aparecer um jornalista de carreira brilhante, chamado Marcelo Rubens Paiva (escreveu o livro Feliz Ano Velho), que se machucou feio numa cachoeira, e, por ser do meio de comunicação, divulgou esse acidente com intuito de evitar que outros jovens passassem por esse evento. Por esse motivo, aprendi a cuidar de mim, e verificar todos os riscos antes de entrar em cachoeiras, e principalmente no mar, antes de surfar. 

No dia seguinte chegaram meus dois sobrinhos, e, minha filha já estava na posição de anfitriã para leva-los na cachoeira.

Nesse mesmo dia, de manhã, eu a levei para fazer uma trilha de buggy (alugado), e chegamos até o morro pelado, de onde você consegue ter uma vista maravilhosa da região. Novamente vendo o mesmo olhar de aventureira.



Nesses dias de diversão familiar e com os primos juntos, fomos mais 2 ou 3 vezes na cachoeira, e depois a deixei na casa da mãe.

Quando retornou para ficar comigo, na segunda quinzena de Janeiro de 2024, foram outras aventuras que fomos fazer. E na próxima postagem eu conto. 




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