Equipamento da Minha Filha

O Equipamento da minha filha:

Nesse 5° “artigo”, eu vou descrever (espero falar com detalhes) sobre o equipamento que minha filha levou (que eu preparei) para acampar e fazer trilhas, e alguns tópicos que são necessários para dar uma certa confiança, principalmente na idade dela, e principalmente por ser o primeiro acampamento.

Ela já foi em um acampamento (acho que a palavra certa é acantonamento) com a escola, aonde fica hospedada em um alojamento com a classe toda, e tem diversas atividades. Eu até comprei duas lanternas para ela levar, e voltou com uma.

Vamos lá. Primeiro ponto é que ela tem 14 anos, e, temos caminhado na praia de Santos, cada vez mais, nos dias que ela está comigo, portanto, ela já percebeu que tem condições de encarar distância longas (faço medição de passos e distâncias percorridas, e fizemos 8 km caminhando, e 6 km de esteira, no mesmo dia), principalmente se melhorar o condicionamento físico. Assim, vem também o fortalecimento mental por perceber que o corpo está preparado fisicamente.

A fadiga e cansaço vem com a desidratação, e esse é outro ponto que ela já notou a importância da água durante caminhada e trilhas. Principalmente se estiver em locais abertos, exposta ao sol, e sem proteção de sombras. E, após 6 km percorrido, ela sempre pede uma garrafa de água para hidratar.

Eu sei que é diferente caminhar na praia e numa trilha, mas, eu também não vou coloca-la numa “roubada” logo de cara, né?

Para não ter problemas com o pé, fui atrás de uma bota confortável, que tenha resistência, para ela poder ficar horas com esse equipamento no pé. Focando proteger o pé e tornozelo, evitando torção, excesso de umidade, e auxiliando em caminhadas com pedras e escaladas.

Outro ponto fundamental, na minha opinião, foi ter comprado uma calça tática de rip stop (material a prova de rasgos – pelo menos o anuncio fala isso), para que ela pudesse ter mais tranquilidade e segurança. Sabendo que é mais resistente, impermeável, e com reforço em áreas especificas para não machucar, tendo assim uma melhora no lado psicológico. O principal é ela saber que se cair e sujar, essa calça é especifica para isso, sem medo de perder uma roupa cara, que não segue o padrão para aventura.

Já relatei na parte do passeio de canoa havaiana que adquiri uma camisa com proteção UV para ela. E, quem conhece, ou já fez trilhas, já deve ter percebido que ela está bem protegida dos pés à cabeça (OK, falta um chapéu na cabeça. Prometo arrumar o mais breve possível). Lógico que também faltava um casaco sintético e impermeável do tipo corta vento (o qual eu vim a comprar depois para ela), e ainda o Shemag (pano utilizado por forças especiais), que serve para várias coisas (proteção de sol e insetos, coberta, toalha, cobrir a cara de poeira, etc), mas, para quem não conhece, lembra um cachecol.

Para completar o figurino, comprei um cinto tático, e, nele me preocupei em completar com ferramentas para sobrevivência dentro de um bornal (bolsa lateral grudado ao corpo), tendo assim um cinto de utilidades (tipo do Batman).

Nesse Bornal, consta paracord, kit de sobrevivência (comprado naquele site amarelo, mas veio da China) com estojo impermeável, canivete tático, serra de dedo, apito de emergência, pulseira tática (bússola, paracord, apito, e até uma lâmina), uma caneta quebra vidro, ferramenta de corte multi-utilidade, abrigo de emergência (cobertor térmico de emergência), bússola (que eu ainda quero substituir por um GPS), mini lanterna, e uma pederneira. Ainda coloquei carregador de energia solar, isca de fogo com fósforos e isqueiro (embalados em recipientes a prova d’água), lanterna de cabeça, uma toalha de micro fibra, adicionei mais uma capa de chuva (dessas que levamos para show), lenço de papel com saco plástico (higiene pessoal no caso de emergência no mato), sache de açúcar, sache de doce de leite, sache de mel, barra de proteína, gel de carboidrato, 1 barrinha de chocolate, e algumas outras cordinhas de nylon. 

Ainda preciso preparar alguns itens de primeiros socorros para agregar ao kit básico dela. Por enquanto eu só coloquei um pacote de gaze estéril, e esparadrapo micropore (enrolado em um palito de sorvete para ocupar menos espaço). Mas com o tempo, espero arrumar melhor, apesar de ela não querer nem saber nada sobre área médica. 

Para completar as ferramentas do cinto, adicionei uma ferramenta do tipo multiuso (alicate, canivete, entre outras funções), outro canivete tático com pederneira. Ainda levando no cinto um cantil com caneca (alumínio que pode servir como panela ou algo parecido), e algumas pastilhas de clorin.

Só para bom entendimento: eu levei 10 litros de água potável, e mais as pastilhas de clorin, e ela entendeu que seria para emergência como foi treinada. E, recentemente ainda adicionei um filtro de água, portátil, assim não corre risco de falta de água.

Se você acha que é muito equipamento, saiba que existe uma regra dos cinco "Cs" da sobrevivência, sendo 1- Corte (facas, machado, e outros), 2- Combustão (material para fazer fogo), 3- Cobertura (abrigo e proteção em geral), 4- Cantil (ou outro recipiente para armazenar e transportar água), e 5- Cordas (para amarrar e prender). Descritos no Guia de Sobrevivência Na Natureza - do Dave Canterbury. E acho que consegui sintetizar um equipamento adequado, de baixo custo, bem completo para ela poder sobreviver em caso de emergência. 

Existe um conceito sobre sobrevivencialismo ser uma filosofia de vida, viver do mínimo, da natureza, e, ter esse equipamento todo vai de encontro a esse pensamento. Acumular ferramentas não teria a lógica. Porém, usar essas ferramentas para facilitar o sobrevivencialismo, pode ser aceito, desde que você realmente incorpore o espírito real, e aprenda a colocar em prática as técnicas, utilizando ou não as ferramentas. E quanto mais "raiz", melhor. Mas no caso da minha filha, é apenas um equipamento de emergência, e o mais importante é não precisar usar. 

Essa "lista" de materiais e equipamentos que ela carrega, foi feita por mim (Não medi o peso, portanto ainda não considero ideal). Focando em alguns pontos que pesquisei, e não quer dizer que é o necessário (ou exagero) para outras pessoas. Porém, espero melhorar aos poucos, substituindo, agregando, ou até retirando alguns itens.

Não foi necessário spray repelente de Urso, porque estamos no Brasil, e não no Canadá (aonde algumas trilhas é obrigatório carregar junto com os equipamentos de segurança). Mas, está bem equipada, e grudado ao corpo através do cinto na cintura e na coxa.

Pronta para tudo, e preparada para sobreviver uma noite, mantendo o lado psicológico forte.

Acredito que algumas pessoas vão falar que ela está muito coberta, e vai passar calor. Porém, é melhor passar calor, do que frio, principalmente no mato, aonde a temperatura cai rápido com a chegada da noite. Além de estar protegida de insetos e animais (ela já teve um histórico de alergia em alguns momentos da sua vida).

Em Outubro de 2020, eu fui para o Rio de Janeiro, na casa de um amigo, que sempre fizemos trilhas junto. E, não foi diferente dessa vez, além do surf em Grumaria, lógico.

A irmã dele nos chamou para fazer uma trilha, e ir numa cachoeira pequena no Parque Estadual da Pedra Branca (acho que é em Vargem Grande), dentro da cidade do Rio de Janeiro mesmo.

Fomos tranquilos, de chinelo e bermuda. Porque ela conhecia muito bem o local, e a caminhada foi fácil, tendo poucas elevações e decidas arriscadas.


Mas, se tratando da minha filha, eu prefiro que ela esteja protegida, até que ela possa determinar o quanto de equipamento de segurança deve levar em trilhas, se seguir fazendo essas expedições.

Tá bom, vocês devem estar me criticando por deixar dois canivetes na mão de uma adolescente. Porém, se eu me lembro bem, eu já tinha canivete aos 9 ou 10 anos. Além do fato dela fazer sua própria comida de manhã cedo, lidando com faca, fogo, frigideira, óleo quente, e outras coisas que também a faz correr risco.

Adolescente é gente. Sabe discernir o grau de perigo e risco, além de fortalecer o psicológico, aprendendo a se virar sozinho em muitas ocasiões.

Aliás, com todo esse equipamento, eu fiz questão de preparar minha filha para saber usar cada item, se isso fosse necessário.

Ela prendeu a fazer fogo com a pederneira, usando a isca de fogo (deixei preparado algodão com vaselina, dentro de saquinhos de ziplock) mas coloquei isqueiro e fosforo também. Aprendeu a dar nós (e aproveitou para montar a tenda sobre a barraca, em nosso primeiro acampamento), assistiu vários vídeos de sobrevivência, aulas de sobrevivência (pois o pouco de conhecimento que possuo está muito longe de ver e ouvir quem tem mais prática), largados e pelados (apesar de ser reality show, com foco em mostrar o extremo do perrengue), e mais alguns filmes de ação. Tudo para abrir um pouco a visão sobre uma situação hipotética, e adquirir alguns conhecimentos e dicas de especialistas.

Numa emergência, ela estaria preparada (?). Mas é lógico que eu não quero isso acontecendo. Eu não fui, e não sou escoteiro, e, mesmo com algumas (acho que até pouca) experiências na mata e trilhas durante minha vida, acredito que consegui preparar algo que evitasse uma situação de emergência.

E, para ela, se sentir uma versão da “Lara Croft”, ajudou a inflar o ego, e aumentou sim a autoestima e autoconfiança nesse habitat (são diretrizes do escotismo colocar adolescentes em situações para elevar a sensação de independência. E, existem empresas que contratam pessoas que tem como Hobbies atividades ao ar livre ou esportes radicais, pois conseguem se reprogramar de forma rápida e sair de situações adversas que geram tensão e risco, demonstrando o lado frio para tomar decisões). Deu para sentir que ela adorou.

Assim, vou “moldando” uma pessoa que se sinta bem no meio da natureza, desligando um pouco do lado urbano, e relaxando em momentos agradáveis. Sendo mais natural frequentar matas, e criando uma conexão com a natureza, mudando o estilo de vida, quando necessário.

Eu ainda espero levá-la para ter aulas práticas com pessoas que tem conhecimento nesse assunto. 

Depois de prepara-la, partimos para o acampamento.

No próximo blog, eu conto sobre o local, o equipamento usado, e os locais visitados.

Mas, já vou adiantar que, não foi necessário utilizar nada do kit de sobrevivência. Ou melhor, quase nada.


 

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