o Acampamento
Como Prometido, vou contar nessa 6° postagem sobre o local do acampamento, e os locais visitados. Deixo para uma próxima para descrever mais sobre equipamento.
Quando eu decidi levar minha filha para acampar, logo pensei
se ela iria gostar, ou não. É sempre uma preocupação eu saber se minha filha
vai gostar de algo que eu gosto. Nem sempre ela vai aceitar da mesma forma que
eu as aventuras que eu encaro de forma natural, desde garoto.
Portanto, todo equipamento que eu iria adquirir, teria que ter
como entendimento que, se ela não gostasse de acampamento, eu teria que usar
sozinho no futuro, ou perder o investimento. Sem a certeza de que o equipamento
seria utilizado mais vezes ou não (junto a ela), acabei tendo que escolher
equipamentos de baixo custo, mas que pudessem durar (custo x investimento),
pelo menos para eu poder utilizar sozinho se for o caso.
Existem vários vídeos na internet falando de equipamentos de
valores baixos, principalmente para quem está iniciando. E já citei em alguma
publicação anterior, nomes de pessoas que explicam sobre materiais, falando de
qualidade, valores e necessidades.
Primeira coisa que eu iria precisar para acampar era a
barraca, lógico. E lá fui eu pesquisar custo x benefício, tamanho, entre outras
coisas. E, achando que estava fazendo a melhor compra do mundo, levado pela
empolgação, já comprei uma de 4 pessoas (para ter espaço), com valor baixo.
Mas, como sempre temos falhas, só depois fui descobrir o que seria “coluna
d’água” e outros fatores. Mesmo assim consegui resolver e contornar esses
fatores.
Para comer, teria que ter panelas para camping, com
facilidade de transportar em caso de Hiking e treking. E lá fui eu comprar no
site direto da China. Mas, um erro grande, foi não ter percebido que não
chegaria a tempo, e, acabei tendo que comprar um outro jogo de panela (aqui no
Brasil) para chegar a tempo (gastando duas vezes).
Aliás, esse foi um erro gigantesco de logística, pois
diversos equipamentos eu comprei em site chinês, e, o prazo declarado, não
daria para chegar a tempo do passeio, me obrigando a comprar novamente alguns
itens aqui no Brasil.
Para eu ficar surpreso, chegaram vários itens antes de
viajar, e, se eu soubesse, poderia ter evitado outros gastos. Apesar de ver
como equipamentos de backup, tendo extras para cada tipo de passeio. Valeu para
ter equipamentos extra de reserva.
Para fazer a comida, teria que ter fogo. E para isso,
precisaria de fogareiro. Comprei o fogareiro com o bujão de gás. Além de uma
espiriteira para experimentar (depois eu vou comentar mais sobre os
equipamentos).
Eu havia recebido de presente de Natal, um cooler portátil
de uma empresa pela qual eu trabalho, e aproveitei para organizar as coisas de
cozinha dentro. Levando as panelas, fogareiro, bujão de gás, prato de silicone,
espátula silicone, tempero pronto, moedor de sal, toalhinha, talheres
dobráveis, 1/3 de bucha para lavar louça, detergente em saquinho ziplock (tudo
para facilitar e economizar espaço. Quem acampa sabe do que estou falando), caixinha
com sache de chá (minha filha adora chá), entre outras coisas.
Levei uma bag térmica dobrável extra, aonde coloquei um
pacote com frango, linguiça e bacon, tudo picotado, para adicionar junto com o
sopão que faríamos para almoço/janta no mesmo dia que chegamos.
Ainda levei um pote de geleia, para comer com torrada, antes
de dormir.
Deixei tudo organizado para levar, e estruturar o
acampamento logo que chegássemos. E, pensando na estrutura do camping, deu
certo 95% do planejamento (sempre tem algo que não dá tão certo, e é nessa hora
que é o mais gostoso de ter que agir em pró da aventura, usando a criatividade para
resolver de imediato).
Coincidência ou não (lógico que não, deve ser o algoritmo),
mas aparecem muitos vídeos sobre acampamentos, treking, hiking, equipamentos, e
outros fatores ligados, aonde as pessoas vão acampar, e suas estruturas. Dentre
esses vídeos, tem pessoas que não tem noção do que estão fazendo, e outras que
dão dicas magníficas.
Cheguei assistir um vídeo onde o título era “a pior noite da
minha vida”, aonde um garoto, se enfiou no meio do mato, sendo um terreno particular,
com uma tenda, sem saber acender fogo, levando 1 kg de carne. Sem querer
zombar, mas o vídeo parecia vídeo cassetada, porque o garoto reclamava de tudo
(mosquitos, fumaça, carne descongelando, medo de bichos) e falava que não
recomendava para ninguém. Foi engraçado, mas deu pena pela falta de preparo, e
por isso, quando envolve minha filha, minha atenção é muito maior.
Agora
vou contar sobre o acampamento. Primeiro ponto foi que eu comecei a pesquisar
sobre aonde levar minha filha para acampar, pois, existem várias
possibilidades.
Cheguei
a pensar em levar para Ilha Bela (litoral de São Paulo), porém, no meio de
Janeiro, seria um pouco cruel devido estradas cheias, camping lotado, calor na
barraca, e sem sossego para dormir (tem gente que fica conversando a noite
toda, e dependendo do tom de voz, acaba atrapalhando o sono de quem quer
acordar cedo), isso que não comentei sobre os borrachudos do local.
Porém, o camping que escolhemos, o Verde Nascente (propriedade particular), que chamam de Lago Esmeralda, porque a água é verde esmeralda (tem um motivo sim, pois era uma área de remoção de argila do fundo do lago, e, os produtos que foram usados, deixaram a água dessa cor), não teria chuveiro de água quente, mas teria uma área para fogueira, fogão a lenha, banheiro, e uma trilha rodeando o terreno (auto intitulado ROOTS). Mas, pelas informações que eu tenho lido ultimamente, acho que já instalaram um chuveiro elétrico. Optamos para ir conhecer numa próxima vez por parecer ser um local muito bonito, além da segurança. https://www.instagram.com/campingverdenascenteofc/
Pensei muito bem antes de colocar minha filha nessa “fria”,
e, vasculhando alguns vídeos na internet até achar o Sítio “Chão D’água”, em
Salesópolis, ao lado de Biritiba Mirim. Com excelente estrutura, constando
chuveiro de água quente, fogão a lenha, geladeira coletiva, wifi, tudo dentro
da fazenda. Fácil acesso, pois, saindo da estrada, você percorre 300 metros de
estrada de terra até chegar no portão. https://www.instagram.com/chaodagua/
Outro fato que me atraiu essa região, eram as possibilidades
de passeios em trilhas e cachoeiras. Além das histórias da região, pois essa
cidade (Salesópolis) era rota dos imigrantes que subiam a serra do mar, vindo
do litoral. Na verdade, tinha outro nome, sendo Vila de São José de Paraitinga,
só recebendo o nome de Salesópolis em 1905, sendo uma homenagem ao nome do Presidente
Manoel Ferraz de Campos Sales. A história é bem legal, principalmente quando
você percebe que por essa região estiveram grandes nomes da história brasileira,
onde Bandeirantes e Portugueses navegavam nas águas do rio Tietê para desbravar
o sertão Paulista.
Lá também tem a nascente do rio Tietê, acho que 22 km do
litoral, mas, o rio insiste em correr para dentro do estado de São Paulo, em
vez de ir para o mar. Assim, passando por 62 cidades , nos seus mais de 1.100
km percorrido até chegar ao rio Paraná.
Lógico que essas informações nós verificamos no museu da nascente do Rio Tietê, que fomos visitar.
No dia de ir viajar, logo pela manhã, eu acordei minha filha
com o café pronto, com tudo que tinha de direito para ela comer.
Enquanto ela comia, e se arrumava, eu fui na locadora para
buscar o carro alugado.
Voltei para casa, pegamos os equipamentos e colocamos no
carro.
Como o local escolhido era Salesópolis, teríamos algumas
opções de estrada, mas, escolhemos ir pelo litoral (Rio-Santos), partindo da
balsa Santos - Guarujá, até a estrada Mogi Bertioga, para subir a serra por lá.
Logo na subida, pegamos uma chuva leve, que foi aumentando
conforme subíamos. E, as cachoeiras despejando muita água escura e barrenta
(sinal que não seria possível encarar cachoeiras).
Durante esse trajeto, eu já expliquei para ela que, ao
chegar, e verificar o local, dependendo das condições do camping e do clima,
deixaríamos para outra data, e voltaríamos no mesmo dia. Tudo para preservá-la
de uma experiência ruim.
Ao terminar a serra, parou de chover, e fomos tranquilos
pelo caminho.
Quem já fez esse trajeto, sabe que não é uma estrada que dá
para andar muito rápido, ajudando nossa missão que era passear e apreciar novos
lugares.
Passamos por Biritiba Mirim, e logo chegamos a Salesópolis.
Com o auxílio do GPS, que minha filha me auxilia bastante
como copiloto quase profissional (na minha opinião), chegamos a estrada de
terra que nos levaria ao Sitio Chão D’Água, aonde fica o camping que marcamos.
No dia que agendamos para ir acampar, foi um dia de muita
sorte (se posso chamar assim).
Nos dias anteriores choveu muito, e nesse dia, só pegamos a
chuva na serra. Apesar de algumas gotas de chuva em locais e momentos
esporádicos.
A chegada foi tranquila, e, como era uma segunda-feira de
manhã, só tinha uma pessoa no camping, que estava passando férias.
Posicionamos o carro, descarregamos, e já fomos montando
acampamento. Minha filha, por ter feito alguns laços e nós nos dias anteriores,
ficou incumbida de montar a tenda sobre a barraca, pois, se tratando de uma
barraca iglu, bem simples, e pouca proteção de chuva, preferimos comprar uma
tenda para proteger.
Tudo montado, organizado, alimentos perecíveis na geladeira do camping, lenha preparada (que compramos na própria fazenda), ficamos a vontade para sair e conhecer o local.
Primeiro passeamos dentro da fazendo (sítio) para conhecer
tanto as áreas comuns do camping, quanto o lago e as áreas de festas.
Depois disso, voltamos para estrada, em busca de cachoeira e
mirante.
Como era uma segunda-feira, deu a impressão que a vida não
estava tão acelerada como num grande centro, nos obrigando a desligar a chave
do “acelerado” para “férias”. Bem mais relaxante do que esperávamos.
Fomos em busca de uma cachoeira da porteira preta, mas, como
se trata de uma propriedade privada, estava fechada.
Continuamos na estrada buscando algo para fazer, e, nos deparamos com a placa indicando a Nascente do Rio Tietê. Nem um segundo que eu li, já virei o carro na rua de terra a direita, e falei para ela que esse era nosso destino. Entramos na estrada e encaramos os 6 km de estrada de terra batida, entre floresta e fazendas, até chegar no parque aonde tem a nascente, as trilhas, e o museu.
Fomos bem recebidos pelos guias, e acompanhados até a
nascente, aonde o Sr. José (guia) tirou foto, e explicou tudo sobre o local.
Infelizmente, não pudemos fazer nenhuma trilha no parque, porque
as chuvas dos dias anteriores deixaram o terreno muito instável e lamacento. Mas
aproveitamos para conhecer o museu.
Ao redor, na região, ainda existem algumas cachoeiras, mas
decidimos voltar para estrada, e procurar outra cachoeira mais próximo ao
acampamento. E achamos, mas a queda de água era muito forte e não nos arriscamos
de entrar.
Decidimos voltar ao local do acampamento e acender fogueira,
almoçar com a janta e tomar um banho quente.
Minha filha foi ao banho, mas voltou falando que além de
tomar banho (quente), ainda teve uma luta corporal com vários mosquitos no vestiário
feminino, mas já esperava algo parecido.
Enquanto ela se divertia, eu estava cortando lenha para
ascender a fogueira, mas, como nosso
único vizinho já estava com a fogueira acesa, aproveitei para pegar uma brasa. Depois,
conversando com minha filha, percebi errei ao fazer isso, pois, perdemos a chance
de treinar ascender a fogueira tanto com as iscas de fogo que preparamos para
usar pederneira, quanto com o próprio isqueiro. Mas já havia passado o momento.
No canal do “master das invenções” tem uma dica muito boa,
em entrevista com Celso Cavallini, sobre com o obter fogo na mata.
https://www.youtube.com/watch?v=mzjtOw1GNV4
Ele recomenda que leve sim um isqueiro, ou até mesmo uma
pederneira, porém, com uma “isca” de fogo (ele cita algodão com vaselina) para
facilitar a combustão, visto que a maioria das nossas florestas são
extremamente úmidas, e a dificuldade de combustão é alta. Tendo folhas, galhos
e madeiras encharcadas, e, dependendo da experiência do campista, ou bushcraft,
ou o nome que você preferir, não consegue fazer o fogo desejado.
Aproveitei para ligar o fogareiro, preparar o frango, e
completar com o sopão. Assim proporcionando uma comida com proteína e quente. Mas,
de repente minha filha fala “pai, tem um cachorro atrás de você”. Ao olhar para
trás, vi que ele estava muito próximo, e levei um susto que fazia muito tempo
que não tive. Me diverti com o susto, e nesse momento que me dei conta que ele
foi atraído pelo cheiro da comida.
Depois de comer, já lavei panelas, prato e talheres, e fui
para o vestiário com o intuito de combater alguns mosquitos durante o banho.
Ao voltar, vi minha filha curtindo a fogueira, num final de
tarde cinzento.
Aproveitei que o fogareiro ainda estava montado, e preparei
um chá, com torrada e geleia, para esperar o escurecer bem alimentado.
Ficamos mais algumas horas em frente a fogueira, e cortando lenha. Fui deitar, conversando com minha filha. Mas ela ficou até apagar a fogueira.
No dia seguinte, ao acordar, já dei um beijo na bochecha
dela para ter um sorriso logo cedo. E ao abrir os olhos, eu já comecei a
comentar e dar opções do que fazer no dia, já que o céu ainda permanecia cinza,
e a previsão era chuva.
Concordamos em tomar o café, desmontar tudo e sair para
estrada, voltando para casa, com um caminho muito mais longo, para passear de
carro.
Terminando o café, já organizei tudo, e começamos a
desmontar o acampamento, e aí começou a chover.
Pedi para ela esperar no carro, enquanto eu desmontava tudo
correndo, e dobrei lona e barraca molhada, só desdobrando para limpar em casa,
alguns dias depois.
Mas, saímos para estrada, seguindo de Salesópolis até a rodovia
Tamoios, descendo a serra para o litoral, chegando a Caraguatatuba, e
retornando pela Rio Santos. Passamos por São Sebastião, Maresias, parando em Juquehy
para almoçar, e dando sequencia direto para a balsa Guarujá – Santos. Com trânsito
e fila de balsa, esse período chegou aproximadamente a 8 horas de estrada. Mas valeu
por ter passado mais tempo juntos conversando, brincando, e discutindo
filosofia de vida.
Chegando em casa, em Santos, já começamos a planejar muitas
outras aventuras, que aos poucos vamos realizar, e vou passando os detalhes por
aqui.


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